A Realidade Machuca

Meu blog, não aconselhado pra falsos-moralistas, pessoas que procurem um blog com sentido, hipsters, usuários de Iphone e Ipad, fãs da saga Crepúsculo, fãs de bandas ruins e fanáticos religiosos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Diário do detetive Boër capitulo 1

Como eu havia dito antes, eu postaria alguns textos meus. Eis aqui o primeiro, de muitos, que pretendo postar aqui. Tentarei escrever regularmente...

Diário do detetive Boër; Página 12
6 de outubro
Depois de sair de minha suspensão por ter matado o procurado que deveria ter sido levado a questionamentos, resolvi sair da força policial de Londres. Uma que não queria ser deslocado para outro lugar, o que acontece com todo policial que comete um erro como o meu e o outro motivo é que não aguento mais ouvir o delegado Clyde! Aquele gordão de sobretudo dá  no saco de qualquer um. Não é a toa que a mulher dele se mudou com o filho pra Leeds a fim de cuidar dos estudos do menino!
Enfim aluguei um escritório pequeno em West End e usei um contato para colocar um anúncio de busca de assistentes no jornal. O que não imaginei era que ninguém, literalmente ninguém, iria responder... O endereço está certo, o anúncio todo foi impresso do jeito que eu pedi.
...
Incerto do que fazer, resolvi ir a um pub, nada como um Scotch para ordenar meus pensamentos. Lá foi onde  conheci uma mulher, bela, com um olhar cativante, cabelos encaracolados e compridos, que passavam do ombro. Seu vestido vermelho agarrado ao corpo não escondia o fato de estar usando um corset. Ela possuía uma piteira que exalava um estranho odor de menta e um belo par de luvas que faziam com que suas lindas mãos parecessem feitas de porcelana. Enquanto tomava meu segundo copo, ela se aproximou de mim e, antes mesmo de chegar, senti que aquele olhar penetrante aquecia minhas costas. Ela se sentou ao meu lado na mesa. Lentamente levei meu olhar a ela, que tinha um sorriso pequeno, como o de uma criança que gostaria de me contar alguma travessura que ela fizera e ninguém sabia. Dei um riso de canto de boca antes de perguntar educadamente o que ela queria. Ela me respondeu, após piscar os olhos como se fosse um gato curioso com algo nunca visto antes.
“Gostaria de saber o que um cavalheiro está fazendo sentado aqui, sem uma companhia.”
Ainda mantendo meu sorriso forçado, respondi calmamente que não estava interessado nesse tipo de serviço. Ela, antes de responder, deu uma pequena tragada e soprou a fumaça na direção do meu rosto.
“Um cavalheiro decidido, é assim que eu gosto. Não gostaria mesmo de ter uma conversa mais íntima?”
Neste ponto, o pouco que tinha de meu sorriso já havia desaparecido, acenei ao homem atrás do balcão e ele colocou mais uma dose no meu copo. Ela parecia ter percebido o meu total desinteresse, mesmo assim continuou sentada ao meu lado e chamou o bartender.
“Gostaria de um licor, de menta, por favor.”
Já não mais olhava para ela, porém sentia seu olhar prestando atenção em cada movimento meu. Vagarosamente terminei minha dose enquanto era acompanhado pela dama que agora mais do que nunca exalava um forte odor de menta. Paguei minha conta, me levantei e saí do pub. Após subir as escadas, fui andando calmamente pela viela escura até chegar à próxima rua onde se localiza meu pequeno escritório com uma cama. Estava pensando que amanhã teria que contatar o jornal, perguntar se alguém não tinha aparecido por lá perguntando sobre o anúncio, quando senti novamente aquele olhar penetrante que me encarava, focando minha nuca. Senti um toque leve em meu ombro e ouvi novamente a voz da bela dama.
“Um verdadeiro cavalheiro se lembra de dar adeus a uma dama. Vamos nos encontrar novamente...”
Ela seguiu a minha frente e virou para o lado oposto a que eu iria seguir.
Apenas quando cheguei ao escritório, fui tirar meu casaco, é que notei que minha carteira havia sumido! Mas quando? Só podia ser aquela dama que havia me roubado. Ainda bem que não levara muito dinheiro na carteira, mas eu hei de encontrá-la!


Em breve o próximo capítulo, ou vou intercalar com outro texto!